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Intercâmbio na França
Começou no Rio, na hora do check-in. Corentin, o intercambista francês que pegou o avião junto comigo, olhou para mim com uma expressão de nojo : “Bah! Tá cheio de Franceses!”.

No avião também, parece que você já está na França.
“- Un apéritif, mademoiselle ? Champagne ?
- ...Polar, não tem ?”
Brincadeira, eu não tomo. Mas não ia negar um Guaranazinho... País sem graça!

Na TV do avião, passa o jornal com notícias das Olimpíadas. Surpresa ! Morando no Brasil, eu achava que só tinham começado o vôlei e o futebol, e que os atletas nacionais estavam ganhando tudo. Mas aqui, eles só dão bola para esgrima e natação, e (casualmente) os melhores são os Franceses! Cada um com os seus problemas...

* * * * *
Chegamos. Aliás, pousamos. Mas aqui no aeroporto de Roissy, o avião tem que andar mais 30 minutos para achar estacionamento !
Passando na alfândega, eu pedi para carimbar o meu passaporte. O cara estranhou um pouco, mas obedeceu. 16-08-08, chegada na França.

Aguardando a mala, já posso enxergar os meus pais, que estão me esperando do outro lado do vidro. Vou até a eles para abraçá-los. Choque cultural. Aqui na França, a gente não abraça. Apenas se dá dois beijinhos no rosto. Vou ter que esfriar um pouco o meu jeito!

* * * * *
Damos uma passadinha no apartamento em Paris, para eu pegar umas coisas, antes de viajar pro interior. Tenho duas horas para desarrumar os meus 50kg de mala e arrumar tudo de novo.
A cidade é triste e vazia: o dia 15 de agosto é um feriado na França, e todo o mundo aproveita para ir pra praia. Não fica ninguém na capital. Até os turistas somem.

É meio-dia e jà estamos saíndo.
“- Vocês não vão chavear a porta do apartamento?
- Não precisa, não! É só bater. Quem é que vai querer entrar?”

* * * * *
No carro, eu escolh a música. Tudo brasileiro, claro. Para matar a saudade. Mentira : escutar música atiça a saudade!

No caminho, passamos abastecer o carro.
“- Acho que este posto está fechado. Não tem ninguém.
- Não està, não. Olha, tá aberto!”
Aqui, na França, nunca tem ninguém no posto para ajudar. O motorista tem que se servir ele mesmo, ir depois estacionar mais longe e entrar para pagar. Eu tinha esquecido isso também.

* * * * *
Em casa, o meu irmão e a minha cunhada estão me esperando. Eles decidiram comemorar a minha chegada cozinhando um bom jantar de noite. Eles não sabem cozinhar nada, então isso é um evento muito especial! Os dois se trancaram na cozinha a tarde toda, estudando o livro de receita como se fosse a Bíblia. O menu : beringela recheada com carne de porco... Me esqueci de avisar que eu era vegetariana!