Falando nisso, procurei no mês passado os lugares “brasileiros” de Paris. Eu não imaginava achar tantos. Só que eles não têm nada dos bares onde eu andava em Porto Alegre. A cerveja é de marca belga ou alemã, o vinho é argentino, a comida mexicana, e a “caipirinha” é preparada com rum. Mas tem escrito “Brasil” em tudo o que é lado e tem fotos de Copacabana e do Pelé nas paredes. Até o preço das bebidas é parecido com o da passagem para São Paulo.
Resumindo : ainda estou procurando um bar bem brasileiro (sem aspas!) em Paris.
Num outro dia, ainda no restaurante, passei perto de um colega que estava tentando comunicar com um grupo de doze pessoas.
- Français? English? Español?... Italiano?
- Português!
Ele olhou para mim, desesperado: “Ah non, putain! Je parle pas un mot de portugais...”
- Mas aaaaahhhhhhhh ! Deixa eu fazer! Eu falo português!
Os clientes eram paulistas! Eu fiquei um tempão batendo papo com eles, os meus chefes me vigando com aquela cara de “Charlotte, te mexe! É quase uma hora! Temos que fechar e eles ainda não comeram!” Mas o cliente é rei, neh? ... e jà que ele quer conversar um pouco, não posso negar!
Tem também muitos Franceses que já foram no Brasil e adoraram :
- Eu morei lá um tempinho. Fiquei três meses entre o Rio e Ilha Grande. Praia e sol todo dia. Maravilha!
- Olha, eu morei lá um ano e fiquei no total três dias na praia : um no Rio, um em Salvador e um no meio da Amazônia. Foram quase os únicos dias lindos que tive durante as minhas férias, pois viajei para as partes mais chuvosas do continente. O resto do tempo, fiquei em Porto Alegre, onde passei frio no inverno, e quase morri de calor no verão. Lá não tem o mar para tomar banho e o rio é mais sujo ainda do que o rio Seine.
Apesar de todo isso, tenho certeza de ter gostado mais do que tu!
Afinal, as melhores mostras que eu tenho do Brasil são as minhas próprias lembranças e as coisas que eu trouxe de lá. Nas paredes do meu quarto tem um mapa de Porto Alegre com os pontinhos indicando as casas de vocês, e os lugares de que eu gostei; tem também um painel enorme cheio de desenhos das crianças do morro, que elas me deram de presente na minha despedida. São as primeiras coisas que vejo de manhã quando me acordo, e as últimas que enxergo antes de dormir. E sempre tenho bons sonhos.